segunda-feira, 18 de junho de 2018

Monetian

I miss love
As a bridge over colors
From a lost vision of Monet.
I miss it as a sickness
And the cure for my afflictions.
I miss the mess my life was made of
When my love brushed through the lines
Without fear of what's to come
And all the joy that filled my time
When all was love
And love alone.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Poema do Futuro

A tua amargura me acusa de erros que não cometi -
Mas vejo cápsulas mergulhadas no vômito
Que estão recheadas de verdades obscuras;
Então nem tudo é dor e mentira,
Mas superar o nojo para engoli-las
Às vezes parece mais do que eu sou capaz de conseguir.
Por enquanto me contento com a capacidade
De ver as verdades semi-digeridas
E temer o futuro onde eu seja tão doente quanto tu
A espumar inconsistências sobre os outros
Pelo que fermentou no interior -
E temer, pior ainda, que eu já esteja no futuro.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Cerveau à la Recherche de Temps

Não há cura para o "em si" -
Apenas a loucura de que se ature
A química desbalanceada
Torcendo que o tempo sobreaqueça a reação
E frite os circuitos numa nova ligação
Com outras doçuras e amarguras cognitivas
Que me degustarei.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Garganta do Diabo

(So Afraid - Janelle Monáe)

Tudo se resume a algo muito primordial,
Tão animal que urge um ventre
Onde casulo
Enquanto o mundo ruge
Seus motores sem direção
Garganteando o Diabo no rochedo bruto
E, ao moer, lançando agulhas de arenito
Que tiroteiam a carne de quem passou
Muito perto do fosso escuro
A mastigar os aflitos
No atrito agudo
De dentes só humanos
Mas demasiado monstros para enxergar.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Poço Sinuoso

Talvez eu nunca vá saber
O lugar dentro de mim
Onde as coisas acontecem.
Na verdade, tenho que aceitar
Que talvez esse lugar
Só exista quando eu quero esconder
De mim
As verdades que se depositam na pele
Mas invento residirem bem mais fundo,
Como se o mundo não fossem pequenezas
Que se agigantam fingindo escuro -
Transformando o que era simples
Num poço sinuoso
De onde não quero sair
Pois é muito mais gostoso
Me sentir misterioso, enfim.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O Ilusionista

É engraçado como as coisas flutuam
Em seu estado mental;
Elas se transfiguram de acordo a dança das luas,
Subindo as margens de um ou outro ideal
Elásticas conforme a figura
Que desejam fazer de si.
Lembro, por exemplo, de odiar amores platônicos
Por destruírem a minha constância
E esticarem as pontas da mente
Até quase o rasgo da vazão;
Recordo quando os cria
Um veneno pernicioso ao amor realista,
Enchendo-o de expectativas
Que terminariam por me naufragar no isolamento;
Mas também vi o platonismo
Como o filtro onde se retêm
Os anseios que ninguém sacia,
Deixando-me mais leve
Para voar de amores.
A mente escorrega difusa
Entre os conceitos que cabem na navegação
Usando-os como velas içadas ou recolhidas
Conforme o vento que lhe toca -
E o vento nunca sopra numa única direção.

Difícil mesmo é distinguir a própria mente
Na corredeira de pensamentos -
Ela é mar, ela é barco ou é vento? você me pergunta,
Ao que a resposta retorna confusa
Mergulhada na mistura de significação.
O poeta, no fim, não passa de um ilusionista
Escondendo e mostrando as cartas
Até encontrares no movimento
Uma razão desvairada
Que na verdade não passa de emoção
Fantasiada de sentido da vida.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Os Quereres

A vida pode ser o que você quiser -
Só esqueceram de dizer
Que esse negócio de querer é complicado demais.
Às vezes teus quereres vão querelar
E preferir se apagar
Pois dentro da mente há tanta coisa
Que o que queres pode se perder
Na hora de despachar;
Noutras ainda vão bater de frente
Com o querer de quem vem lá
E aí tem que se organizar -
Você, os teus quereres e os outros seres
Cujos quereres estão do lado de cá,
E até a vida atender a querelância
Pode ser que ela já tenha vindo a acabar.
E ai de quem disser que nessas palavras verdade não há!
Só nega as trevas do querer
Quem prefere mentir para negar direitos
Ou para a si próprio consolar.

Éon

A cada era
Que a minuta ata
Aterra mais um terabyte
Da inocência que minha pele
Só consegue escapar divagada
Nas esferas subterrâneas
Das órbitas cibernéticas
E seus vazios de profundeza infernal.

E cada fera
Que desuso engaiolada
Nas palavras-cemitério
Não consegue enclausurar
O jorro imundo me escapando
No suor de bailarino
Que a cada rotação se decepciona
Com a imperfeição do movimento
E espalha riscos de molhado
Fétido e melado sobre o chão.

E a terra gira
E jorra infinda
Até que apague sua entranha
E sobre estranho o seu casco
Por um tempo no infinito
E então sobre só tempo
E então nem isso.

domingo, 4 de março de 2018

O Lugar Encantado

O meu encanto
Está escondido no mesmo lugar
Onde o horror de mim transborda.
O espaço onde desabrocha
Minha personalidade
É um cemitério bem adubado
Pras flores crescerem.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Talvez

Por um momento esqueci
O que é pensar em você -
Num curto intervalo de tempo
Fingi que você não existia
E talvez eu tenha ficado melhor.
Mas talvez também eu tenha surtado
E pensado que eu preciso transar com qualquer um
Que parece com você.
Talvez eu tenha me amado tanto
Ao ponto de amar
O que você representa
E tudo aquilo que aguenta
Existir dentro de mim
Por causa docê.
Talvez, no fim das contas,
As minhas ideias de amor
Sejam tão internas quanto focadas nivocê;
Talvez na verdade eu não consiga parar de falar sobre o amor
Porque meu amor é tão absoluto
Quanto o discurso
Que eu fiz pra tentar me entender você.