Quando abri meus olhos,
Te encontrei estirado
Em meio aos lençóis
Com a pele vermelha
Da maresia quente
Que se embrenhava
Através das cortinas.
Notei teu sorriso
Lascivo e dormente
Querendo acordar
E me derreti,
Descrente de mim.
Toquei teus cabelos luzidios,
Ouvi teus suspiros macios
E quase me convenci
Que teu rosto divino
Era uma miragem solar.
Mas ali estavas,
Todo ensolarado
E, no entanto, encarnado,
Deitado ao meu lado
Como um encanto alado
Nascido de Apolo
Num dia de afago.
Foi quando soprou da janela
Uma brisa sutil
Trazendo lembranças
Da noite vadia
Em que dançamos
Fazendo lambanças
E pintando aquarelas
Com os nossos passos
Em meio às vielas
Amareladas de luar.
E, sem te acordar,
Acariciei tuas costas
E recordei as encostas
Onde nos sentamos
Ao amanhecer
Para sentir o mar
Ribombando revolto,
Perolando o areal
E cobrindo o mundo
De ternura e sal.
E quando tua voz
Enfim me chamou
Lembrei-me, afinal,
Do fogo em teu toque,
Teu beijo e teu choque
Fazendo meu corpo
Tornar-se teu lar.
E então desejei
Com tudo que sou
E com tudo que sei
Que, ao fechar os olhos,
Eu não despertasse -
Que ficasse no sonho
De estar ao teu lado
E, rendido e encontrado,
Me incendiar.
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