domingo, 15 de janeiro de 2012

Em pauta

Pfff!
Pode uma coisa dessas?
Hoje não pode mais
Nem podar o arco-íris
Para procurar o pote de ouro.
Precisa de procuração
Precisa e pautada -
É uma paulada,
Puta que pariu!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Esse poema só fala

Esse poema só fala de tristeza e amor, amor triste.
É tudo culpa do poema!
Devia ser mais feliz,
Supérfluo,
Balão,
Com umas palavras mais simples,
Menos emaranhado,
Um pouco mais seco,
Sem ideias doidas.
Esse poema devia ser qualquer outra coisa,
Menos esse poema.
Ele não é muito fácil.
É meio senil pra essa idade.
Ele devia deixar de ser criança
E soltar logo esse barbante
Pra flutuar.
Ai, esse poema, viu...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A rua cai

Até onde isso vai dar?
Não que eu queira
Aparecer nalgum lugar,
Mas talvez nem dê
Pra não chegar.
Depende do que
Você tomar,
Aí pode tudo, rima muito,
Ritmiza, relativiza, avisa
Que não vai dar lá em casa,
Que a rua cai antes de outrora,
A terra engole, o chão emole
E a cidade já não dorme
Ou não durmo eu
Já estou com fome
Assim não dá...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poeticaliza

Poetiza vertical, poetisa;
Ascende em fogo ao céu,
Queima o véu preto
Em cinzas e fumaça branca;
Releva-te, enleva-te,
Revela-te, leva teu estrondo
Num turbilhão em chamas;
Chama o nome da canção
Que de explosão num arrocho
Afrouxe a cauda do teu vestido
E dê sentido às asas dos anjos
Em teu corpo!
O coro precisa cantar,
O paraíso precisa chegar
Aqui e agora
Antes que o agouro
Em gigante touro
Pisoteie teus passos no ar!
Corre! Voa! Poeticaliza!

Universo

Ele
Não vai,
Não volta,
Não revolta,
Não faz revolução,
Não cai em tentação,
Só tenta passar além do abismo
Entre ele e outro,
Mas sempre cai
Ao princípio do mundo
E segue passeando em si
Parecendo caminhar o multiverso
Enquanto continua sendo um verso só.

Desfumegado

Versos desfumegados
Esburacados
Acostumados
Escorrem da colher.
Num prato de sopa
A pouca vida
Sabor galinha
Roleta louca de normalidade.
Só quando eu garfar o caldo
E fincá-lo na língua
Ele fumegará
Num laranja pastoso
De sangue evaporando
No calor da mistura.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Malemá fantasia

Mal-me-quer
Malemá
Ou qualquer coisa,
Mas sequer
Manda ter
Outro bem.
Se tem ou se vê
Deve ser em sobrenome,
A esconder
Por detrás do informal,
Que, bem ou mal,
Não há como despetalar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tiê-sangue

Cadê tu
Cadê tiê
Cálice sangue
Cadente no mangue
Das entranhas
Num enxame de veias
Plumejando
Em teu voo meloso
Pela garganta;
Ninha veloso
Teia esponjoso
Tieta-me
Tiê.

Minha

Já de guizos e brilhos
Os vestidos não são.
Os saltos quebrados,
Maquiagem trincada
E as gavetas por onde vazava
Estão de poeira
E madeira passada.
O quarto é escuro,
A lâmpada queimada,
A janela esburacada
Respinga frio
Num feixe de lua
E uivado do vento.
O corpo já não é o mesmo,
O todo passou
E a pulseira das minhas
Lembranças prateadas
Trincada no chão escoou,
Caindo por entre as tábuas
Para um porão abandonado
Onde entre caixas
De úmido papelão
Deve jazer nalgum canto
Uma última saia
Que espremida na solidão
Dá vida a um pequeno clarão.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ventoinha

Pela queda pelo vento
Pelo toque de contento
Mergulhado entre medo
Do entrevero do amor
Verdadeiro
Como um reino paraíso
De um espelho refletido
Na luz e no calor
Bronzeado mediterrâneo
Abafado ventilador
A num toque sobre a pele
Pelejar o meu andor
Em apostasia nostalgia
Soprando generosa
Tombando em meu cabelo
E caindo no assoalho
Até sumir carvalho.