Se eu pudesse
Ser de lá
Sereia sem trela
Estrela do mar
Estuário santo
Santuário bambo
Levitando berimbau
São seria,
Santa iara;
Das mazelas
Não faria
Minha nau,
Meu corpo em céu;
Navegaria padroeiro
Pela areia
Do meu véu
Esvoaçando na brisa
De um sacro-eu.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Escombro
Não, não faça isso,
Não trace no espaço um risco bonito;
Ele é pouco belo,
É um sobrado de lero
A só enfeitar.
Não espere esmero
Num mero ordinário.
Veja que esse castiçal
É de papel,
Em suas pontas não brilha
Mais que uma chama postiça
Imersa em gasolina comprada.
Não, não espere no quadro
Mais que um terreno quadrado
Onde um canto ululado
Lampeja o vazio de si.
Não há mais que um humano
Torto em fraquejo quebrado
Ao seu lado,
No escombro de mim.
Falácia
Restando tão pouco a falar
Não deve estar a faltar na fala;
O que precisamos é viver
Mais ou mais intensamente
Até as palavras faltarem
Mas não por falta de opção,
Antes por faltar noção
De tanta vida e desvida
Desmoronando nas esquinas
Da expressão.
Não deve estar a faltar na fala;
O que precisamos é viver
Mais ou mais intensamente
Até as palavras faltarem
Mas não por falta de opção,
Antes por faltar noção
De tanta vida e desvida
Desmoronando nas esquinas
Da expressão.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Dado
Nada pensado e penado
Pode ser tão dado
Quanto o listado
De bom grado
Sem enfado
Como
Se eu jogasse nas letras um dado.
Pode ser tão dado
Quanto o listado
De bom grado
Sem enfado
Como
Se eu jogasse nas letras um dado.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Ararada
Pendurado perdura
No cangote o holofote
Das mil vozes perturbadas
Com o silêncio.
As danadas alarmadas
Esperneiam desavisadas
Alarmistas feito araras
Ao vento.
Bate asas, bate estaca,
Calamiza irritada
A perdida bicharada
Na cabeça achatada
De ruído.
Para tudo! Para nada
Vale a escandalizada
Renca nesse pau de arara!
Antes valha a parada
Da minha vida em caminhada
Que a estada me compraza
Num momento
De resfrio
Estio
Rio.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Cantiga
Devia chamar Filomena
Que num poema
Cocega igual pena
Soando bizarro fonema
Na corda que trema.
Faria então uma música
Sincera como de novena
Derretendo-te o coração feito gema
Quando eu te chamar de Helena
Da minha rapsódia extrema.
Peço que você não tema
Os rumos dessa canção;
Prometo por esses versos
Desde a aventura helênica
Até a singela cantiga de unção
Manter todos os nomes imersos
Em Filomena.
Que num poema
Cocega igual pena
Soando bizarro fonema
Na corda que trema.
Faria então uma música
Sincera como de novena
Derretendo-te o coração feito gema
Quando eu te chamar de Helena
Da minha rapsódia extrema.
Peço que você não tema
Os rumos dessa canção;
Prometo por esses versos
Desde a aventura helênica
Até a singela cantiga de unção
Manter todos os nomes imersos
Em Filomena.
O universo das coisas que quando ditas perdem sentido é grande demais
O universo das coisas que quando ditas perdem sentido é grande demais,
Tornando cada uma das palavras usadas pequena,
Ao ponto de neutra se apagar no ar
Sua impressão digital,
Ficando morfemas
Vazios
.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Imaginário
Lembro de algumas coisas,
Poemas, paisagens, fonemas,
Mas do resto esqueci.
Lembro que pensei tanta ideia
Descabida, descabelada ou vívida.
Agora, se elas chegaram ao ponto
De fixarem-se nalgum porto
Feito nau no pensamento
Arrastando-o pelo mar...
Difícil rememorar.
Vêm-me imagens ao longe
Rendidas a terras esparsas
Caídas nas mãos de tribos
Que ou desconheço, ou apaguei
De meu mapa.
Vivo com aquela sensação desavisada
De que a borda do mundo chegará,
E também creio dar voltas eternas.
Não sei quantas peças pregou a lembrança,
Se na feitoria ou nos pedaços;
Se essa pedra em batente no mar
Flutua-me ou fica estacionada;
Quantas ilhas passaram ou passei,
Sequer se houveram, se sei.
Quanto mais velho, mais oceano,
De navegação passei a correnteza.
Sou um naufrágio, ou subterrâneo;
Sou barro estraçalhado
Numa ventania que me derrubou.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Saiba que
Você provavelmente deve passar
Pelo mesmo (des)caminho
Que dizem. A saber,
Se há que saber
De amor.
Hora ou outra
O verbo transmuta
E o verme há de comer
Na sensação de passar
Para o crer.
Não deve ser bom -
Não deve ser bom -
Saber tem mais conforto,
É mais leve.
Mas de tanto que sabe, crê,
E daí não mais sabe,
Ou não sabe se sabe.
Quem sou eu para dizer?
De amor eu não sei.
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