sábado, 28 de dezembro de 2013

Bicho preto

É madrugada e eu enxergo nada direito.
Os gatos sumiram,
Os ratos não se vê,
As mariposas sabe lá,
As borboletas muito menos,
As razões não se conhece,
Emoções ao deus-dará.
O bicho preto dos
Meus versos é o
Único que vai
Lá, passando
Pelo escuro
Camuflado
Achado
Em meio ao que não tem direito e o que é nada.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Amolador

"O amolador está aqui",
Apitou a flauta
No alto do segundo andar.
"O arrolador está aqui",
Apontou a falta
No recanto do meu parar.
"O amor e a dor estão aqui",
Afiou a faca
Na nota que toca o meu rolar.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fumo de samba triste

Parte do que partiu é porta cerrada,
Serrado do que sorriu na serra pelada,
Pele pelando a fio pela forma afora,
Afoito fiando o rio que não ri nem chora
Quer chova, quer chagas, quer chamuscado,
Quer charuto cubano alagado no alarme
De arder arrendado no alambrado.

Dito mínimo

Contemplado com destruição,
O humano busca sobreviver.

Dada a sobrevivência,
Procura se destruir.

Isso tudo, em geral, sem querer morrer.

Todo o qual, por sinal, sem saber viver.

E como saber?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Tornado em doses de Whisky e saltos embriagados

Nicho falso
Da metade
Do inteiro
Do vazio
Do herdeiro.

É tão crasso
Meu espaço,
O meu berço,
Ninho calço
E ando espesso
Coçam os pés
Infantipasso
Rastevoo
Resto tolo
Vara-pau
Engordurado
Alado
Requebrado
Contorcido
Contornado.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A vida é uma
Sucessão de mortes
Abraçadas;

Nascimentos acumulados
Que assistem meu sobrado
Sem girar a maçaneta.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Receita para sentir na pele o contemporâneo

Loção de cimento
Esfoliante de asfalto
Perfume de fumaça
E banho de praça.

Viscerossistemático

Guardado debaixo da guarda,
Armado atrás da flora
Intestinal,
Escondido nas vielas
Da favela
Do canavial
Do sexo "normal"
Do apartamento
Da polícia federal
Do sentimento surreal
Que liga minhas tripas à rua,
Tuas tropas à foda,
Meu vício de coca
Ao dele na cola;
Coloca tudo em questão
E tenta achar que não.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Anti-poema

Estou com preguiça de procurar um sentido para o poema.
Cansado demais para criar metáforas,
Curtir a metalinguagem,
Caçar palavras.
Tenho hoje um asco pela poesia
Que versa nos meus escritos
De algo bonito, ou doente,
Seja decente ou subversivo,
Cativante ou esguio.
Tenho poucos motivos para escrever;
Menos ainda para pensar
E quase nada para simplesmente estar.
Portanto, aí está.