Eu de papier mâché
Eu de jornal embrulhando o bacalhau
Eu de letras escorregando fedidas
Eu de tela em preto de tanto rasurada
Eu de caneta f .'ha
I u de tralha
Eu de emergĉnc'a, uns cones espalhados,
Um pisca-alerta sem sirene e pouco caso
Eu de nada, muito obrigada.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
Rastro do rato
Meu olho arde
Toda vez que trago.
Às vezes um homem,
Noutras um afago
Ou um novo maço.
Às vezes amasso
O braço dele
Ou o pacote insuficiente.
Por vezes suplente
Eu sou
Da minha própria corrente
E muitas não mando
No que serei.
Eu sou o que sou, o que fui,
O que manda o desmando do pixel de mim.
Sou um pedaço descalço de gente
Fazendo o que faço -
Sou rastro do rastro do demente.
Toda vez que trago.
Às vezes um homem,
Noutras um afago
Ou um novo maço.
Às vezes amasso
O braço dele
Ou o pacote insuficiente.
Por vezes suplente
Eu sou
Da minha própria corrente
E muitas não mando
No que serei.
Eu sou o que sou, o que fui,
O que manda o desmando do pixel de mim.
Sou um pedaço descalço de gente
Fazendo o que faço -
Sou rastro do rastro do demente.
One
Graças pelo telefone
O gramofone
O fone de ouvido
E o cone.
Dai graças, senhor, senhora,
Moço, mora,
Há tecnologia
E amanhã.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Piramidal
Praga crassa
Prateando a laringe
Até dura não gritar
Melhor pra capitalizar;
Até que esfinge as gentes petrifiquem
Em louvor dos faraós, e só.
Espanque o corpo e rompa a mente
Delinquente o negro, a mulher, a bicha, o índio
Mate o pobre, culpe o jovem
Chame Dom Sebastião
Rasgue a constituição do humano
E quem sabe sejas Brasil o suficiente pro Diabo amassar.
Prateando a laringe
Até dura não gritar
Melhor pra capitalizar;
Até que esfinge as gentes petrifiquem
Em louvor dos faraós, e só.
Espanque o corpo e rompa a mente
Delinquente o negro, a mulher, a bicha, o índio
Mate o pobre, culpe o jovem
Chame Dom Sebastião
Rasgue a constituição do humano
E quem sabe sejas Brasil o suficiente pro Diabo amassar.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Folhas derretidas
Acordou um dia,
Saiu na rua
E amou.
Repentinamente era outro
Virou Ramsés, filho dos deuses,
Príncipe de seu próprio destino.
Resolveu que o amor é uma árvore tropical
Verde e bodosa.
Algum tempo depois
Voltou para casa
E brigou.
Ainda era cometa deslizando nos céus,
Mas viu a sazonalidade das zonas temperadas
Esvaecer suas folhas amareladas por alguns instantes.
Esperou chegar a primavera.
Ontem adormeceu
E esmigalhado na entorpecência
Se sentiu cacto.
Morreram aí as metáforas arbóreas.
Não porque morreu o amor, nada disso.
Apenas se redescobriu humano.
Despencou como Lúcifer na Terra
E passou a procurar uma forma de ser água
Ao invés de retê-la.
Saiu na rua
E amou.
Repentinamente era outro
Virou Ramsés, filho dos deuses,
Príncipe de seu próprio destino.
Resolveu que o amor é uma árvore tropical
Verde e bodosa.
Algum tempo depois
Voltou para casa
E brigou.
Ainda era cometa deslizando nos céus,
Mas viu a sazonalidade das zonas temperadas
Esvaecer suas folhas amareladas por alguns instantes.
Esperou chegar a primavera.
Ontem adormeceu
E esmigalhado na entorpecência
Se sentiu cacto.
Morreram aí as metáforas arbóreas.
Não porque morreu o amor, nada disso.
Apenas se redescobriu humano.
Despencou como Lúcifer na Terra
E passou a procurar uma forma de ser água
Ao invés de retê-la.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
E só
Nova noir
Pastiche de outrora
De mim
Fora com o pastel e seus tons
In with the dons
Os bons envelhecidos
Traduzidos
Semi-paginados
Vêm também os males
Uns resquícios de rolha quando a rompi
Nada que uma colheita
De dedos esfumegados não possa resolver.
__________
Abri minhas asas de corvo
E planei sobre o trigal.
Os grasnos não assustam
Os grãos... Sei lá.
Sustém. E por enquanto só.
Lá longe há oliveiras -
Que será?
__________
Na mala, enquanto se aproxima o trem,
Javalis, cerejeiras, abacates, um navio vermelho
E muitos erros.
Mas com eles quem se importa?
Levo para exportar no próximo terminal. E por enquanto só.
Pastiche de outrora
De mim
Fora com o pastel e seus tons
In with the dons
Os bons envelhecidos
Traduzidos
Semi-paginados
Vêm também os males
Uns resquícios de rolha quando a rompi
Nada que uma colheita
De dedos esfumegados não possa resolver.
__________
Abri minhas asas de corvo
E planei sobre o trigal.
Os grasnos não assustam
Os grãos... Sei lá.
Sustém. E por enquanto só.
Lá longe há oliveiras -
Que será?
__________
Na mala, enquanto se aproxima o trem,
Javalis, cerejeiras, abacates, um navio vermelho
E muitos erros.
Mas com eles quem se importa?
Levo para exportar no próximo terminal. E por enquanto só.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Equilíbrio
Em caça por nova casca
Ceder a casa
E casar comigo;
Quem sabe encaixa.
Mas caçar diferente
Sem cair de cócoras numa caixa
Querida pela casta rasa
Das querelas amareladas,
Das amadas fadadas,
Das que foram caladas,
Engolida a facadas.
Como me dar a esse prazer
Sem perguntar?
Procurar respostas
Que não sejam intervenções
Nem respostas.
Simplificar a mente
Sem autodestruir
Renovar a estima sem redimir
Não sumir mas decrescer
Caçar sem cães nem raposa
Sem virar esposa.
Ceder a casa
E casar comigo;
Quem sabe encaixa.
Mas caçar diferente
Sem cair de cócoras numa caixa
Querida pela casta rasa
Das querelas amareladas,
Das amadas fadadas,
Das que foram caladas,
Engolida a facadas.
Como me dar a esse prazer
Sem perguntar?
Procurar respostas
Que não sejam intervenções
Nem respostas.
Simplificar a mente
Sem autodestruir
Renovar a estima sem redimir
Não sumir mas decrescer
Caçar sem cães nem raposa
Sem virar esposa.
sábado, 4 de abril de 2015
Bichérrima
Em mim sou um bando de bichas
Cardume de piranhas
Nervosa
Infinitamente ramificada
Até as raízes caírem numa poça de homofobia
E rasgarem tudo lá dentro
Sugarem-na
Roçarem as pelancas no erro
Plantarem perucas na raiva
E fumarem minha morte
Até os pulmões ficarem pretos
De tantas travestis colhidas
E viados tolhidas
De tantas sapatões arrancadas do chão
E passadas ao ponto
Que bem lhe quiser.
Engula.
Isso.
Tudo.
Cardume de piranhas
Nervosa
Infinitamente ramificada
Até as raízes caírem numa poça de homofobia
E rasgarem tudo lá dentro
Sugarem-na
Roçarem as pelancas no erro
Plantarem perucas na raiva
E fumarem minha morte
Até os pulmões ficarem pretos
De tantas travestis colhidas
E viados tolhidas
De tantas sapatões arrancadas do chão
E passadas ao ponto
Que bem lhe quiser.
Engula.
Isso.
Tudo.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Eu
Estou quieto
Eu odeio o que está acontecendo aí
Mais da rua que da planaltina
Mas odeio tudo isso aí.
Queria estar em condições de dizer o que me diz a mente
Mas aqui há tanto erro suficiente.
Desgraça de vento...
Melhor culpar ele e entorpecer o tempo
Fingindo que entre ele e ele
Há algum para derrapar
Na minha grande derrapada
E como derrapei...
Estou quieto
Eu odeio o que está acontecendo aí
Mais da rua que da planaltina
Mas odeio tudo isso aí.
Queria estar em condições de dizer o que me diz a mente
Mas aqui há tanto erro suficiente.
Desgraça de vento...
Melhor culpar ele e entorpecer o tempo
Fingindo que entre ele e ele
Há algum para derrapar
Na minha grande derrapada
E como derrapei...
sábado, 14 de março de 2015
Porrada
Que poesia que nada!
Que porra é essa?
Que porrada de nonsense
Que delícia falar com seus vícios
Livremente
Querendo errar
E que queira o quereres querelar
Com a aquarela de porra nenhuma
Pausa.
Houve um momento de poeticidade.
Desgraçado!
Bora errar de novo
Mais!
Um toquinho de erro aqui
Uma pitadinha de erro ali
Mais aliteração
Metáfora?
Pfff... Que bosta é essa?
Erra mais!
Que se foda!
Errado errado querido
Esse é o melhor poema de todos
Porque não é um poema
Porque é porra nenhuma
E tá errado
Que porra é essa?
Que porrada de nonsense
Que delícia falar com seus vícios
Livremente
Querendo errar
E que queira o quereres querelar
Com a aquarela de porra nenhuma
Pausa.
Houve um momento de poeticidade.
Desgraçado!
Bora errar de novo
Mais!
Um toquinho de erro aqui
Uma pitadinha de erro ali
Mais aliteração
Metáfora?
Pfff... Que bosta é essa?
Erra mais!
Que se foda!
Errado errado querido
Esse é o melhor poema de todos
Porque não é um poema
Porque é porra nenhuma
E tá errado
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