Quero comer um melado;
Sentir um mormaço no cangote
Sair de cena ovacionado
Cair do galho sem machucado
Fechar a porta, abrir a janela e por lá ser amado
Quero o frio que só o calor pode dar.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Geladinho
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Por favor leia
Ay poder
Que lyndo el poder
De hablar como quiser
E querer como foder
E que se foda você
Você não tem money,
Nem pele,
Hombridade
Ou querer
Você é uma bosta
No caminho de ser.
Você é o caminho que trilho
No trem do viver.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Reco-retirante
Ralando um som de contínua repetição
E, embora receoso, repleto de embalo.
Lembro um pouco retirante
Passando sobre a terra num rasante
Arrastando a vida até o solo rachar.
Prefiro os memoriais erigidos em poema
Pois deles muito pouco é possível roubar.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Miro
Vide a miríade de águas correndo ali,
O bambuzal lamacento em que arrasto os pés aqui,
Miriã à beira do Nilo guardando o cesto
Paciente e displicente
Quase perdendo o rumo do embrião,
Ficando sem sexo nem compreensão do mundo
Ousando virar sacerdotisa de um deus sem nome,
Sem corpo, sem alma, sem chão.
Fazer o que?
Os votos da covarde ousadia têm de ser seguidos,
Os ritos, vividos e o medo das serpentes do rio, engolido.
180815
Chego algures e lá estão atrás de mim as caverninhas de terra amassada
Mal saídas da fornalha que levo nos pés dolorosos
E já aconchegadas no desassossego,
Mal-passadas sob o arrasto do meu vestido preto
Apagando tão logo acendem,
Assim as carrego.
Olho de relance o caminho passado,
Coleto nas íris os pãezinhos de massa mole e fria,
Venho aqui no caderno e os doo a quem doer quiser.
Vidoca
Deve fazer tanto tempo
Mas se nem eu mesmo ouvia,
Que dirá as mentes enfadadas
Cheias de outras vozes em si.
Devo falar em códigos demais
Ou vórtices
Ou vértices sem linha nem cor para encher a imagem;
Devo falar meio calada
Cansada de me dar aos quatro
Ventos
Exaurida e passada
Refletida em quase nada
Como a vista da ribanceira fracassada atravessada em minha cidade.
Se antes era Tietê berrando fétida à beira-estrada
Hoje estou mais Vidoca,
Trêmula com tanta troca de pele
Trazendo um cheirinho ralo de esgotinho mais ou menos.
Ralada de excessivo sentir,
Mas sem abandonar a dorzinha no fundo do leito
Que me fala ensurdecendo vocês todas,
Vozes de outrem.
Vocês aqui somem.
Passem longe dessa cerca quebrada;
Aqui só tem mato.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
040815
Depois de ontem me entupi de endorfina
Outra vez de álcool
E outra ainda cocaína
Ou morfina, não sei.
Antes de ontem vivia de hojes
Porém mal ouso continuar usando tal palavra.
Difícil saber quantos dias serão ontens amontoados daqui para... frente?
Roubaste meus planos e desesperanças.
Agradeço, detesto e lamento isso.
E agora?
Estranho esse agora...
domingo, 12 de julho de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
110715
Todos os desejos mudam
Menos a consciência.
Se antes saía cutting os papeis
Hoje prefiro remendá-los
E ver nas letras, qual recortes de revistas,
Novos poemas
Ou pelo menos revisitados.
Revistá-los de cima a baixo
É tarefa demasiado policialesca
De quem busca no morro
Armado até os sentidos
Sem lá ter morado
E pensando
"É tudo cidade; há de aparecer um como-eu".
Que cômodo! Que fariseu!
De terra o chão só tem a si -
Os bairros são o tempo que verteu.
De luz só se vê a brasa -
O mato que queimou combustível
Já se foi esquartejado, quequejado e remoído.
Leva agora a terra morta
E colhe as praganas que conseguir redimir.
O barro ainda é senciente;
Basta saber do quê.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
240615
Eu de jornal embrulhando o bacalhau
Eu de letras escorregando fedidas
Eu de tela em preto de tanto rasurada
Eu de caneta f .'ha
I u de tralha
Eu de emergĉnc'a, uns cones espalhados,
Um pisca-alerta sem sirene e pouco caso
Eu de nada, muito obrigada.