segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
250616
Guardo uma porção de magia
No lado esquerdo do cerebelo
Para desaprender o equilíbrio
Ou reaprender o desequilíbrio,
Sabe lá o que sai dos vulcões em erupção.
Guardo na carteira uma dose
Para revirar a mesa.
Sentes meu revigor?
Que relívio da droga!
O horror da desquímica é demais para uma pobre mente
Paupérrima das pauladas da vida.
Ufa! Vivo nos tempos da medicina moderna,
Ela salva dos erros eros
Ela mata muito mais gostoso
Salvando as minhas letras
E a alma infernizada de terra.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Alea Jacta Est
É muito tempo em cima de tempo
É muito rápida a distância
É muito enfático o recorte
É muito errático o suporte
É tudo muito apático à minha ferocidade
Até que se me enjaule a sorte
E lançada esparrame no molhado
Sumindo...
Sumindo...
Sumindo...
quarta-feira, 22 de junho de 2016
220616
A solidão está no apartamento cheio
Enquanto a maior alegria paira no abandono.
Aprendi a amar sozinho com uma leve dor de vazio
Tentando ser o melhor e mais completo possível
Sem que se me entregue um risco sequer de calor.
Eu não espero nada, desejo pouco.
Os homens vêm e vão,
Os casais se dão a mão
E eu assisto quietinho.
O tempo de sofrer há muito se foi;
A vontade do querer não me apetece.
Vejo o carinho fluindo com tanta naturalidade em outros portos
E aqui fechado para uma infinita reforma
Interditado em calamidade pública;
Deixo a grade cerrada novamente com sinal de 'perigo'.
Enferruja, bem-querer -
Teus floreios não são mais necessários.
segunda-feira, 20 de junho de 2016
200616
Existe um grilo no meu quintal
Sempre cricrilando
Inescapável
Um dia ou outro ele aquieta,
Mas eu sei que está lá;
Ouço seu existir.
Onde está o silêncio que vai me salvar
Desse canto maravilhoso?
Quero a quietude, mas o grilo não morre
E fico sempre esperando ouvir ele serenar.
Quem será que morre primeiro:
Eu ou o desejo de tê-lo lá?
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Beiraria
O frio acostuma, mas não aprece,
E mesmo que eu prece ao deus do infortúnio
A fortuna corrompe
E desejo ser rico.
Ainda que se pregue um voto de pobreza
O Papa traja ouro,
Trajano quer a Pérsia
E Roma que rua sob o peso de seu próprio vazio.
Que é o centro do mundo sem suas beiradas?
Expandir é instinto, pecar é preciso
E esse monge pecaminoso não cessará
Enquanto não ver as bordas da Terra redonda,
Enquanto almejar não signifique novamente alcançar os próprios muros,
Enquanto retornar não seja ao infinito romar.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Irradiado
Qualé a sua, amor?
Fecha a porta
Ou escancara a varanda;
Essas frestas não condizem
Não conduzem
Não conluzam o corredor e a rua.
A rua tem um brilho muito escuro,
Há muito perigo,
E aqui há segurança demais,
Um exagero para os transeuntes -
Uma claridade que ofusca.
Prefiro um quarto escuro
Onde as fotos, com suas luzes passadas,
Sejam o último conforto
Sem o eterno risco dos feixes penetrantes
Que adentram para cortar mais um pedaço da alegria que poderia ser.
As fotografias que, nessa câmara obscura,
Se percam debaixo da cama
Até nem um último fio de luz restar.
sábado, 4 de junho de 2016
Voy a buscar otro amor que a mí me comprenda
Cada qual no seu jarro de vinho
E eu aqui envelhecido, amadurado e encarvalhado
Familiarizado com as dores neutras que não corrompem mais
Acochambrado em certezas duvidosas de desfim
Desfiado em fina púrpura
Dos mercadores que não me conservaram para o fim;
A conserva não é adequada para mim,
Mas quem sabe ainda me vendam sob o pseudônimo de cetim avinagrado.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
030616
Ó ele cá,
Barulho
Baiando dois nium
Baralho de bois
Berrando o truco
Trocando o dois por um
Vendo a boiada a preço de farra
E assisto o susto da Barra