domingo, 16 de maio de 2021

Amor de nada


(Yumeji's Theme - Shigeru Umebayashi) 

Tengo un amor
Y no sé para qué;
No sé para quien.
Quiero en secreto,
En sentidos mezclados
Que se pierden entre mis nadas,
En los momentos en los que la respiración
Callase.

...

Cuando la mirada
Se pierde
Y mis sentimientos
Ya no conozco.
Amo en olvido,
Como mientras te he querido.
Pero si fueras tú mi destino final,
Creo que ya lo habría sabido;
Mientras tanto, yo nada sé;
Y ya no quiero como quise.
Mi oído no más oye el canto tan lleno de ganas
Del largo silencio del mundo que hace mucho ha partido.
Mis rotos cristales no más pueden que colgarse
Desdé sus sencillas cadenas de transparencia
A ojear el mundo girando,
Bailando
Y cantando
Los cantos tristes que llenan la vida
De amor.

sábado, 15 de maio de 2021

He todas las cosas

Creo que hay una llama
Quemando casi sin ruido
Bajo el agua que corre en mí.
Creo que hiérveme
Despacio y lucida,
Ardiendo el motor del corazón
Hasta el rumbo de su deseo
Sin siquiera darse cuenta.
Y, mientras eso,
Corre bajo mi fuego
Un río perezoso y fresco
Cuyas aguas dan vueltas en mi cuerpo
Refrenando el demasiado calor.
Hay en mí la perennidad de la tierra
Y el olvido del viento;
Hay las simples cosas del todo
Y la infinita riqueza del nada;
Hay fuerza y incertidumbre,
Belleza y dolor;
Hay yo y vosotros;
Identidad y vacío.
Hay tantas contradicciones
Que de mí solo se podría decir:
He aquí una pareja sola
De todas las cosas
Que la vida ha querido vivir.

sábado, 1 de maio de 2021

Membrana

Encontro nas membranas do meu movimento
Um contratempo
Que me inverte e desacelera.
Estranho que ele esteja tecificado
Na minha trama -
É como se eu fosse
O meu próprio contrapeso;
Como se por natureza
O corpo me falasse
Que as escolhas,
As ideias,
O pensamento
Têm limite
E chegam até o ponto
Que a camada transparente,
Esponjosa e oleosa
Os permite.
Depois disso, é retorno.
Carrego na minha carne
A contradição inata
Da verdade que concebe
Sua própria negação:
Se falo,
Num instante sou mentira;
Se calo,
Num rompante sou barulho;
Se ando,
Em seguida descaminho;
E se paro
É muito pouco -
Logo avanço,
Roço o rosto
No balanço
De a todo instante
Equilibrar-me
No desvio do saber:
Eu sei
E, logo,
Por saber
Eu já não sei.
Está pensado,
Está errado.
E retorno ao estado
De errante tez poética,
De animal,
De insensatez -
De insensata forma ética
De quem ínfima membrana
Concatena-se prolixo,
Contradito em hibridez.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Los Collares de Fuego

Llevo mis dolores colgados al cuello
Como recuerdos de lo que viví;
Caen ardientes contra mis pechos
Haciendo circulos brillantes de fuego
Que queman andariegos bajo mi piel.
Soy como la tierra punteada de diamantes
O aún como el cielo incrustado de estrellas:
Soy carne, arcilla y candela,
Masilla moldeable de existencia
Hecha jarrón de secreta latencia.
Y así que 
Para mover mis collares de cuerpo,
Para coger mis amores de suelo
Y conocer mis temblores luceros,
Se necesitan palabras de nada,
Manos de agua
Y ojos de viento.

sábado, 10 de abril de 2021

A Igreja da Vida

Confesso que não sei
Se sei o que quero,
Se como quero
Se outro infinito lero
De palavras enroladas
Como bonfins
Ao redor de mim
Ninando-me um aperto
Que se me faz carne
E ameaça meu peito
Brotando de dentro pra fora
Dizendo-me tudo que sei
Que não sei,
Não vivi,
Que não sei se viverei...
Todas as infinitas monções
Que não me farei;
Todas as infinitas cauções
Que me causarei.
Confesso que me enrosquei
Nessas lindas palavras de nada
E o nó se me converte em espantalhos.
Não sei...
Confesso que só não sei.
Não sei o verso que vem a seguir,
Mas ele parece tão sério,
Tão sem sentido e estéril
Pulsando um anseio
De milhões de esmeros
Enquanto a realidade
É tão débil...
Tão débil...
Tão perdidamente débil.
Tão ignóbil e
Suportável
Que quase não quero.
Quase...
E essa beira de monastério,
Esse desfiladeiro contra o qual me tolero...
Há dias em que por ele
Eu não me clero.

sábado, 6 de março de 2021

Creio

(Los Panchos - Poquita Fe)

Creio
Que encontrei em mim
O lugar da fé.
A fé, no entanto, ateia,
Que se conhece,
Sabe suas raízes efêmeras
E as aceita contradita em paradoxo.
Creio em ti,
A abstração que és;
Em ti, minha mente, que terceirizas
Os teus extratos mais difíceis,
Inacessíveis,
Impossíveis.
Creio no impossível da contradição,
No absurdo da humanidade
E no encontro dos extremos
Que são nada além do mesmo.
Creio em esmiuçar esse abstrato
E procurar nele
Os sinais concretos de frutos maduros
Prontos para serem colhidos
E lavados
E provados
Para me nutrirem de vida nova,
Nova matéria que sou
Refeita a todo instante
De místico alimentar.
Creio no nada
E em suas propriedades holísticas
Me inventando recriado
A cada misterioso sopro tênue do vento
Que entra nos pulmões atribulados
E os enche de um vazio tão cheio
Que me sinto transbordar.
Creio na vida,
Mas sobre isso é melhor nada falar.
Pois a vida recobre o abismo
Com uma fina camada intocável
Que, se falada, desfaria.
Prefiro contemplá-la
Oscilando através de sua membrana,
Sentindo seu leve carinho me vibrando
Um timbre desachado
De ondas invisíveis.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

El dulce sonido del nada

(Los Panchos - Lo Dudo)

¡Que falta me hace el amor!
Quisiera tenerte en mis brazos...
Tenerte a ti, ¡quienquiera!
Quisiera hacerme tuyo
Y hacerte mío
Y hacernos tan sencillamente uno
Como lo es el aire,
Que no existe
Pero aquí está
Tocandome indecible
Sin sonido más que su pasar.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Subitamente me descobri livre

Subitamente me descobri livre.
Foi estranho...
A liberdade me soou como uma estranha prisão
Onde eu me vi trancado para fora de mim mesmo.
De repente aquele conforto que eu me criara
Para me blindar da vida externa
Desmoronou em pedaços
E eu me encontrei nu -
As cicatrizes expostas,
As estrias visíveis
E a barriga redonda sobrando ligeiramente,
Sua dobra rompendo a harmonia do corpo,
Mas ainda insuficiente
Para ocultar-me de mim as vergonhas.
Repentinamente encontrei-me ridículo,
Infantilizado,
Fragilizado e dependente,
Agarrado às minhas pernas num choro premente.
Encontrei-me como há muito não me encontrava
E tive em mim o desconforto de interagir com o desconhecido -
E o desconhecido era eu.
Mas não foi só isso que estranhei.
Ainda mais estranho foi descobrir-me no desconecto
Muito bem conhecido,
Como se, passados os instantes do encontro inicial
Entre meus eus,
A liberdade tivesse fundido
Um novo compromisso,
Uma nova compreensão mútua
E meus pólos se olhassem dizendo:
"Sim, é verdade, cá estamos, e sempre fomos assim.
Ontem mesmo me disseste isto,
E eu te respondi isso outro.
Em verdade não há nada de novo aqui;
Em verdade nada descobrimos
E descobrimos tudo."
Tudo que encontrei na liberdade foi estranhamento -
E o estranhamento me encontrou.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O Trilho

Estranho como a mente tem vias
Que levam direto a sentimentos inesperados.
Estranho como o retorno a casa
Depois de uma noite de risadas
Traz uma inesperada tristeza,
Uma melancolia de monção
Que invade de repente
Sem causa aparente
E toma de assalto a emoção.
Estranho como o inconsciente
Manda comandos prementes
Que demandam embarcar
Num caminho de vivência
E autocompreensão.
Estranho como eu acabo entrando
Num trilho vazio que leva a nada
Olhando ao longe um destino
Que sei caminho certeiro,
Mas sabendo que a mim só compete
Ver aqui diante de mim
Os veios da madeira
E os longos gumes de aço,
E saber que são trilhos
E equilibrar-me em seus traços
Em meus passos
E agir como se compreendesse
O final da via
Quando tudo que sei
São seus mais singelos desvios.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Escamote


(Zbigniew Preisner - Offertorium)

As rochas
Que fui
Vão
Desfeitas nas intempéries
Das ondas e ventos
Que escamoteiam no movimento:
A brisa sopra -
E não mais;
A onda espuma -
E passa.
As rochas que fui
Vão sendo refeitas
Em ondulantes cata-ventos
Que voam gentis e suaves
Em danças errantes,
Descompassadas
No embalo do tempo.
As rochas que fui
São areia:
São grãos de pedra
Sólida e brilhante,
Minúsculas partículas de nada
Unidas em infinitude.
Sou rocha e sou água,
Sou forjada de fogo
E polida de vento.
Eu sou o infinito da vida
No finito do alento.