segunda-feira, 3 de novembro de 2025
Poema do Louco
domingo, 26 de outubro de 2025
O Melhor de Todos os Poemas de Amor
terça-feira, 21 de outubro de 2025
Perdoa-me, coração
Ouço tua voz
Ribombando a cada batida,
Ressoando através dos teus átrios
Como uma canção e um pedido
Que oxigena cada fibra da minha emoção
Falando do que te vaza
E corre por entre as artérias
Fazendo meu corpo vibrar.
Escuto, puro e claro,
Teu desejo latente,
Pujante,
Abertamente declamado.
Mas eu preciso de tempo.
Preciso que a tua potência
Corra a distância da mente,
Percorra seus labirintos em rodamoinho,
Preencha seus espaços vazios
E então sane minhas dúvidas,
Sare meus medos
E cubra as feridas
De um passado
Que, embora antigo,
De repente parece que há tão pouco foi cicatrizado.
A resistência.
A negação.
Perdoa-me os erros tantas vezes revividos
Que me calcificam
E lacinam teu intento
Com lápides de desalento.
Perdoa a repetição dessa velha caução.
Perdoa as cavernas do meu pensamento
Por se recusarem à vida
Após tantas Eras perdidas
Num silêncio mortal.
Perdoa-me por não me libertar
E nem me permitir navegar
Em águas profundas,
Quentes, escuras
E desconhecidas.
Perdoa-me por sucumbir ao temor de naufragar.
Que escondi sob a carne.
Desvelo outra vez as passagens doloridas
Que fingi esquecer
E faço, no tear dos amores,
Um novo acalanto pra te aquecer.
Mas peço que não me abandone.
Não desista de mim,
Não silencie a tua fome
Ainda que eu me recuse a dizer o seu nome.
Minha fraqueza é por ele -
Apenas por ele.
Para ti eu sou forte.
A ti recolho.
A ti escolho
E por ti me renovo.
Ainda que fraco,
Ainda que estúpido,
Ainda que, em meu pior, eu te dilacere.
Ainda que minha força não te baste.
Perdoa-me mais este contratempo.
Tomara que, contra ele, venha o tempo…
E que o tempo nos limpe,
Que nele eu me salve
E me torne um receptáculo pleno,
Vivo outra vez,
Para fazer tua voz ecoar
Sem recorrer a desculpas
E jogos de sombras e ocultação.
Perdoa-me, coração,
Por te pedir por mais tempo
E não me render ao momento.
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
Olhos Alados
Minh'alma levita, leve como um barco alado,
Por sobre as montanhas quebradas,
As falésias e os mares
Cujas ondas rugem com seus tambores de guerra.
Mas meu espírito não se abala,
Minha luz não se diversa.
Meu coração está firme
Em minha pulsão de vida.
Meus pés não tremem.
Minhas mãos não vacilam.
Minha respiração cresce.
O ar puro me preenche,
Assume a minha forma dentro do peito
E então sai como voz,
Ecoando pelo espaço num estrondo e num sussurro.
Ouço o silêncio ao redor
E sei.
Eu estou pronto.
Minha forma está plena.
Abro minhas asas e saco uma pena.
domingo, 21 de setembro de 2025
Sonata de Verão para Cordas e Aortas
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
Amor de Sombras
E eu vos renegarei.
De braços abertos
Por sobre o abismo
Eu vos entregarei.
Com o fogo do abandono;
Meu ventre alarde
Com o bramido de um sopro
Que conta das inconstâncias
Correndo em minhas veias.
Com o abraço que, como uma teia,
Me encobre;
O laço que me permeia
E se diz nobre.
Meus olhos de sono profundo
Apagam-se na luz.
Minhas mãos macias
Acariciam o vazio.
Eis como vos acolho:
Com uma imensidão de nada.
Pois o nada me remove
E em nada eu me entalho.
A rua está cheia de almas
E eu não as vejo.
Eu mal sei meu nome,
Mal me reconheço
Em meio ao disforme e seco gole
Que no peito entalei.
‘Não me abandone, não me abandone’,
Eu peço ao meu salvador.
Mas ele tem fome
De tudo que some
Quando a dor não sabe o que é amor.
Eu sou martírio,
Sou espelho vazio
Escondido num falso esplendor.
Eu sou a cruz que consome
Meu sangue descrente,
Sou a estrela cadente
Que cai infinita
Sem nunca cair
E assim perde o chão onde se decompor.
Eu sou a luz que desvia,
A pista que some,
O brilho que guia rumo à escuridão.
Eu sou o profeta da romaria
Que te acaricia
E te deita rente ao furacão.
Onde, então, está a verdade?
Onde está o abade
Pulsando forte e constante
Na minha confusão?
Eu lhe preciso… Lhe quero!
E tudo que ouço é “sê forte”,
Quando tudo que sei é ser sofreguidão.
Busco
Mas a bússola não tem guia
O corpo se esfria
E se perde de mim, sem fricção.
O labirinto é espesso
E eu não sei se procuro
O minotauro ou a saída -
Nem mesmo se entre eles
Há qualquer diferenciação.
Eu ando o caminho turvo
Das minhas profundezas
E de longe miro as estrelas
Esperando que delas venha
A minha redenção.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
Cobwebs
Do you remember when you were an urban boy
In those distant nights of darkened skies
Under the city lights that shined amidst the cobwebs
While a lonesome car passed down the streets
Caressing a mechanical tune within the silence
And the half moon glowed with its eerily calm
Between the hardened white buildings
As the impatient breathing of machines
Declared the unendingness of life
In the dead of dawn?
Those distant days of inner loss
Felt found in ways the present plays cannot.
For while they might resound with emptiness,
Covered as they were in a pale dim scent,
Twas then that life felt plentiful
Despite its frail consent.
Today, then, I relive them –
I caress their long lost wait
And hope that some of it remembers me
And stays within my present
And its spent and withered ways.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Memorial das Palavras
Naqueles tempos de outrora,
As palavras escorriam como mel dos meus lábios,
Aderiam como ondas à areia porosa do meu Ser
E descansavam feito folhas secas
Que, cumprida sua estação, se deixavam desprender
E repousar sobre o solo,
Cobrindo-o de uma macia pacificação.
Ainda lembro de quando as ideias pareciam minhas,
Quando elas vinham fortes como emoções
Que me faziam arrebentar
E vazavam do meu peito feito leite
E fazê-lo germinar.
Ainda lembro de quando o mundo era pura potência,
Quando cada esquina era uma porta
Que se abria sobre o espaço profundo
Com todas as suas estrelas, nebulosas e galáxias,
Por onde eu me perdia em navegações despropositadas
Com meu barco de remos alados
Flutuando na beleza infinita
Do vazio entre as constelações.
Ainda lembro, ainda lembro…
Mas não sei se realmente lembro
Ou se fantasio e invento
Uma vida que jamais me abarcou.
Quanto do que Sou é o que lembro?
Quanto do que lembro é o que Sou?
Lembro-me de palavras doces,
Mas talvez elas fossem duras,
Por vezes até mesmo cruas,
Assombrações que a memória vivificou.
Lembro de ideias cristalinas,
Mas talvez elas fossem impuras,
Misturadas a enganações obscuras
Que me saíam turvas
Como algo que se avinagrou.
O próprio mundo virou um labirinto,
Um enigma retinto
Onde cada porta oculta
Um trabalho de adivinhação.
As paredes são apertadas,
Os olhares oblíquos
E a mim só resta a confusa arte da aquiescência
E uma estranheza nauseante.
Não sei como vim parar aqui.
Não me lembro do que aconteceu,
Que curva esguia tomei
Para chegar nessa inconsistência.
O tempo tem jogos estranhos
Que fazem o si-mesmo tornar-se um desconhecido.
Mas eu ainda lembro de algo…
Lembro de tudo que não sei se aconteceu.
E, em verdade, se aconteceu ou não, pouco importa.
A lembrança está no meu espírito
E, por isso mesmo, é viva.
De alguma forma,
Por algum meio misterioso,
Talvez em um mundo paralelo e duvidoso,
Tudo o que lembro sucedeu.
E, por isso mesmo,
As minhas palavras escolhem reviver aquela doçura
– Nem que seja em memória.
Elas escolhem refazer um passado que, construído de utopia,
Quem sabe possa transformar o presente
E assim me fazer consciente
Da vida que jaz oculta,
Correndo inventiva e ensejosa
Em alguma câmara secreta
Nos confins da minha imaginação.