terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Janeiral
And what have I done?
What have I become?
If this aquarium is almost gone
And there's nearly no more water in my lungs
How will February come?
If time raced by so instantly
And like a gunshot I've been freed
Upon a world of disillusion
Over April will I run?
I feel a tale of shortest year
Between my index and my thumb
I see no spring
I see no sun
I reach the window and take a glimpse
December's here
Almost overcome.
Epitáfio
Já não penso, não escrevo, não sou,
Sinto pouco
E me importo menos.
Curioso que ao fugir da vida morta capitalista
Tenha morrido em outro lugar.
Como se não soubesse que morrer não exige locus;
Como se ainda acreditasse que enlouquecer sempre faz barulho.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Arqui
Isso tudo
Cansei de como escrevo
E especialmente da maldição que me corrói
Feito cervo abatido
Dessas malditas metáforas
Que me metamorfizam
Morfinizam
Sedentário como estou
No calabouço da estagnação
No arcabouço do arcadismo
Não consigo ser flecha possível
Para me lançar
E arcar com o impossível.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Cavalo/Cavaco/Cá-louco
Melindroso;
Já não posso mais,
Pois vindo o ontem grosso
No meu calcanhar
Quase não toquei o hoje
Através do espelho de flechar
A própria vida
Antes de fechar a passagem
Entre um dia e outro
Um verso aqui e outro acolá
Um revertério tombando em caroço
Pra seco depois novo se ensopar
No líquido do reflexo
E relinchando alguma coisa
Pensar melindro
Mas sem nunca repassar o refletido
Preferindo nos eternos espelhos enfileirados
Seguir virando vidro.
sábado, 29 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Inocência constante irrelevante
Como um erro
Lindo
E obcecado por cultura pop
E lindo
E obcecado
E pop
E erro
Graças a Deus
E eu nem acredito em deuses
E cultura
E graças
E fulmin-eus.
domingo, 2 de novembro de 2014
Amargura
Especialmente por terceiros,
Mas descobri nisso uma premissa errada:
Na verdade não consigo, nem que queira.
Um defeito amargo de suportar.
sábado, 1 de novembro de 2014
Há alguma coisa
Há alguma coisa entre esta e aquela rua.
Há alguma coisa
Nem que seja uma travessa.
Há uma travessia entre tudo.
Maldita travessia que me transveste.
Benditas sejam todas as coisas que me travestem.
domingo, 19 de outubro de 2014
Não
Não...
É tão estúpido pensar que será
Quanto negar
Ou escrever no infinitivo
E questionar.
Não quero... Não quero... Não será.
Mas também não sei o que virá.
Resposta óbvia, não é mesmo?
sábado, 18 de outubro de 2014
Deus e tolo
Sou trino
Em todas as vidas que fui por aí
Tanto que entendo Deus,
Este que mora no Ocidente
E renego.
Entender, entendo. Nem sempre entendi.
Das minhas muitas trindades,
Porque somos dialéticos
E dialético é tudo
E mudamos conforme as lambanças que se nos propõem,
Hoje sou perdão, ódio e paixão.
A paixão sempre esteve lá
Sou um apaixonado inegável;
O ódio, muitas vezes;
Mas o perdão é novo.
O tipo de perdão, porém, varia com o tempo -
Dependendo da trindade é muito diferente
E dependendo do perdão também.
Há perdões que vêm com dores imensuráveis
E cuja aceitação não chega em si sem muita lamentação.
Sou viúva, mas não sei de que
Ou por que
Nem por onde ou por como.
A dor não se pode saber.
Mas perdoo
E isso é o mais belo:
Perdão vem de perda e de doer
E no entanto é novo
Engole o tolo
E resgata o que de mim restou de voo.
Volto a ser deus e, quiçá, um deus mais pleno
Ou talvez não.
Plenitude não é dos deuses
Nem muito menos dos humanos
Mas as vezes se faz.