sábado, 1 de maio de 2021

Membrana

Encontro nas membranas do meu movimento
Um contratempo
Que me inverte e desacelera.
Estranho que ele esteja tecificado
Na minha trama -
É como se eu fosse
O meu próprio contrapeso;
Como se por natureza
O corpo me falasse
Que as escolhas,
As ideias,
O pensamento
Têm limite
E chegam até o ponto
Que a camada transparente,
Esponjosa e oleosa
Os permite.
Depois disso, é retorno.
Carrego na minha carne
A contradição inata
Da verdade que concebe
Sua própria negação:
Se falo,
Num instante sou mentira;
Se calo,
Num rompante sou barulho;
Se ando,
Em seguida descaminho;
E se paro
É muito pouco -
Logo avanço,
Roço o rosto
No balanço
De a todo instante
Equilibrar-me
No desvio do saber:
Eu sei
E, logo,
Por saber
Eu já não sei.
Está pensado,
Está errado.
E retorno ao estado
De errante tez poética,
De animal,
De insensatez -
De insensata forma ética
De quem ínfima membrana
Concatena-se prolixo,
Contradito em hibridez.

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