quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Fugue

Tinha forma de pássaro
Apesar dos contornos de dragão
E penas de lagarto, duras como as feitas em Komodo.
Ele não se importava em voar,
Mesmo que os voos rasos mais se assemelhassem
Ao rastejo de uma cobra do mar
Serpenteando entre céu e terra
Na liquidez que o habitat lhe deu.
Era cômodo esse simular;
Justo o meio termo - é preciso ser justo,
Mesmo que essa justiça se faça de imprecisão.
Temia o dia em que suas metades cindissem
E caísse réptil no dorso do oceano
E levitasse inócuo ao teto da estratosfera,
Pingando como homem andando na lua,
Trombando como balão de hélio no último andar.
Mas talvez sobrasse a metade intermediária
Do dragão
Escapada das cascas leves e pesadas
E continuasse a meditar - meio-estar - mediar
Seguindo tortuoso nas correntes do mar,
Um pouco por força própria, um pouco empurrado,
Dando voltas no globo infinito
Até o globo no espaço acabar.

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