sexta-feira, 1 de março de 2019

Bronze

Estou polido demais,
Parado
Num belo contemplativo
Distante e grego
Que nada passa, nada comunica
Ali, impassivo
Intimidante
Sem me prestar ao papelão de sangrar
Em nome do barro
E me remodelar;
Sem arrancar do olhar as travas da porta...
Sem entrega nenhuma.
Que beleza pode haver nisso?
Que admiração pode realmente existir no pedestal
Pedindo um beijo aos pés
Sem estender a mão
E se sujar de pele?
Eu quero ser sujo,
Quero ser imundo!
Quero ser enlameado de mundo grosso e escuro!
Quero falar sem medir as palavras milimétricas,
Que me entendam mal e profano,
Quero tocar com a malícia dos demônios sexuais
E devorar a terra
Com meus papéis carnais.

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